Há dias assim, longos. Com pouca intensidade, mas com muita duração. Dias que nos fazem lembrar as milhares de caras com quem nos vamos cruzando na rua com o passar dos anos. Que nos trazem o sabor a corações partidos e noites mal dormidas.
Felizmente, sou mulher. Devo isso aos meus pais. Já fui insultada e, umas quantas vezes, cabeça de cartaz dos boatos mais disparatados. Alguns tiraram-me a força das pernas e confesso que me fizeram fraquejar, mas acabei, mais tarde ou mais cedo, por me levantar de todas as quedas que dei.
De tantas partes quebradas, daquilo que fui e hoje já não sou, resta-me dizer que tenho tudo aquilo que preciso para andar para a frente. Para seguir caminho e ser feliz.
Não faço sequer ideia de quantas caras por ano se atravessam na minha rua, mas sei que finalmente encontrei aquela que se encaixa em mim. Alguém que não é aquilo que os outros esperam, mas sim aquilo que consegue ser. Alguém que não olha a aparências e é o que quer ser sem medo de assustar os outros. Porque o susto passa, a vida também, mas aquilo que somos é eterno.
Gosto tanto do cheiro que deixas no corredor lá de casa.
Com amor, Bia.
