terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Dias assim, longos



Há dias assim, longos. Com pouca intensidade, mas com muita duração. Dias que nos fazem lembrar as milhares de caras com quem nos vamos cruzando na rua com o passar dos anos. Que nos trazem o sabor a corações partidos e noites mal dormidas.
Felizmente, sou mulher. Devo isso aos meus pais. Já fui insultada e, umas quantas vezes, cabeça de cartaz dos boatos mais disparatados. Alguns tiraram-me a força das pernas e confesso que me fizeram fraquejar, mas acabei, mais tarde ou mais cedo, por me levantar de todas as quedas que dei.
De tantas partes quebradas, daquilo que fui e hoje já não sou, resta-me dizer que tenho tudo aquilo que preciso para andar para a frente. Para seguir caminho e ser feliz.
Não faço sequer ideia de quantas caras por ano se atravessam na minha rua, mas sei que finalmente encontrei aquela que se encaixa em mim. Alguém que não é aquilo que os outros esperam, mas sim aquilo que consegue ser. Alguém que não olha a aparências e é o que quer ser sem medo de assustar os outros. Porque o susto passa, a vida também, mas aquilo que somos é eterno.
Gosto tanto do cheiro que deixas no corredor lá de casa.

Com amor, Bia.