A minha tia dizia que eu havia de partir muitos corações.
Nessa altura ainda tinha o cabelo castanho e lembro-me de lhe responder que nunca me iria apaixonar por ninguém. Passei pelo vermelho, pelo roxo, pelo rosa, pelo laranja e, por fim, loiro.
Acho que no fundo ela sempre soube que eu não precisava de alguém para estar apaixonada.
Cresci no meio do fumo, a pintar telas em acrílico e a escrever num blog sem futuro.
Cresci no meio de discussões sem fundamento e com a ideia de que, amar alguém, só faz sentido se o virmos por dentro. Na totalidade interior que poucos conhecem.
Vim de um amor quebrado e talvez seja por isso que saí em peças. Mas a verdade é que mais vale um amor em peças do que não haver amor nenhum. Afinal há sempre alguém que se encaixa em nós, ou pelo menos, tenta. O amor é para os loucos e sempre pedi para que isso não me tivesse passado pelo sangue. Acabei por ganhar as mesmas. Sou louca em todos os sentidos e, consequentemente, também no amor.
Há quem um dia nos faz aceitar que depois de tantas metades daquilo que procuramos inteiro, aparece alguém. Cheio de amor. Sem mas, sem se's e sem filtros. Que nos faz bloquear o menos correto apenas por mais uma noite.
A minha tia tinha razão. Perdi o juízo e apaixonei-me.
Há muito tempo.
Duas coisas que passam? O tempo e o amor.
Com amor, Bia.

