segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ficar em ti

Não há dia em que não te oiça. São três da manhã e é tão tarde. Tarde demais. Passeio-me pela hora do diabo com a tua camisa vestida. Por esta hora já o álcool me corrói o corpo. A eternidade dói-me demais sem ti. Sempre descansámos um no outro. Pousava a minha cabeça no teu colo e tu, com as tuas mãos maduras, afagavas-me a testa com a fragilidade de quem ama. O “eu amo-te” que nunca me disseste em palavras, estava implícito em cada gesto teu.

Depois de tantas noites mal dormidas, de tantos dias escuros sem ouvir falar de ti, voltavas. Há lutos que duram mais do que uma vida, mas hoje vejo-te aqui e esqueço-me do tempo. Inspiro-te e preferia morrer sufocada do que expulsar-te da minha corrente sanguínea, só para garantir que te levarei comigo para onde quer que vá. Corres-me nas veias. Livre e feliz. Como sempre me fizeste ser.

Aprendi contigo que ser feliz um dia, é ser feliz a vida toda. Pousas a tua testa na minha e sorris:
"Quero ficar em ti. A casa que nunca saiu do lugar."

- Camila

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Camila

Camila não combina com faltas de amor, com solidão e arrumação. 
Combina com madrugada, com qualquer por do sol e um bom livro. 
É definido por gargalhadas, copos de vinho branco e pés descalços. 
Mas rima com caos. Um caos tão bonito.
A Camila tem escrito por mim nos últimos tempos. 
Noutro blog que não este, fatalismo das traições.
Ela é o mix perfeito entre tudo aquilo que eu já fui e tudo aquilo que eu não quero ser.
E ainda escreve melhor do que eu. 
Hoje o silêncio fala melhor por mim, assim como a Camila.

Com amor e sempre vossa, Bia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Largo a capa




Largo a capa. Largo as farsas. Paro de mentir. Paro de me alimentar de nadas. Se estar ao pé de ti significa ser tudo. Ser estranho, compromissor, auto destrutivo e pouco saudável. Apenas serei. Sem medo. É a primeira vez que piso o chão com os dois pés. É a primeira vez que me arrisco a ficar sem coração e a ressacar-te o resto da vida. Mas nunca ninguém me tinha restituído a sanidade e o conforto mental que encontrei junto de ti e do teu corpo. É amor sincero. O pouco coração que tenho guardei-o para ti. Mesmo que o universo te levasse para o outro lado do mundo e não me desse uma única pista de onde poderias estar, eu encontrava-te. Porque o amor é isso. Encontrarmo-nos em alguém.
Que bom que nos perdemos sempre um no outro.

Com amor,
Bia.