quarta-feira, 6 de julho de 2016

Onde o mar é mais azul




Há pessoas que nos marcam, dias que ficam e cheiros que se agarram de forma permanente à nossa pele. Há dias como estes, que nos fazem perceber que estamos no caminho certo, a travar as batalhas certas e que desejamos exactamente aquilo que devíamos. Positivo atraí positivo e o sol traz-nos tanta força. Que bom saber que os que estão, serão sempre o lado certo da nossa vida.
E se o coração fosse uma daquelas malas de viagem, provavelmente não poderia trazê-lo de volta para casa no fim desta aventura pela Ericeira. Porque estava tão cheio que acabou por transbordar.
Aos nossos dias de sol, juntos.

Com amor,
Bia.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Coisas que não nos pertencem



Tu?
Sabes lá...
Há voltas que a vida dá. E os muros tornam a erguer-se. Em nosso redor. Prendem-nos lá dentro.
Andámos tanto tempo em torno do mesmo assunto, fiquei zonza. Zonza de ti. Sempre te disse que o teu perfume era demais, colava-se às roupas, entranhava-se no meu nariz. Acho que nunca saiu sequer da minha pele, por mais banhos que tomasse.
Eu tentei. E às vezes acho que tentei demais.
Num mundo perfeito, provavelmente, estaríamos juntos. Hipoteticamente felizes. Talvez não até sermos velhinhos e nos esquecermos dos dias. Talvez até podíamos ter-nos dado bem. Não todos os dias. Mas na maioria das noites tenho a certeza.
Há coisas que só entendemos quando as deixamos partir. Coisas que não nos pertencem e nos escorregam pelas mãos mesmo em frente aos nossos olhos. Sem nada a fazer por nunca terem sido realmente nossas. E finalmente consigo entender-nos.
Uma das lições mais importantes que aprendi foi a amar-te e a seguir foi a deixar-te partir. Não que fosse fácil entender. Foi preciso queimar uns quantos livros.
Depois de tanto, a única maneira de saber que estamos vivos é ver alguém morrer.
Mas fui eu que morri.

Com amor, Bia.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Soldados: os que amam demais



A culpa está sempre no coração daqueles que amam. Há sempre quem tem mais culpa, claro. Os sonhadores, os que amam demais. Como eu. 
A luz atinge-nos, ilumina-nos o caminho e da-nos oportunidade de voltar atrás e corrigir a rota.
Peguei numa dessas oportunidades, dei umas vinte vidas ao nosso nós. Acreditas que em nenhuma delas sobreviveu?
A culpa assombra-nos e um dia há de levar-nos ao tapete.
Em dias normais achei que seríamos tudo. Tudo aquilo que nunca conseguimos ser. E num daqueles dias em que não deveria sentir absolutamente nada apercebi-me que o meu corpo já não estava contigo e decidi parar de te amar. 
Provavelmente, um dia destes vamos mesmo ter que nos conformar que o amor se perdeu. E que afinal não é assim tão bom quanto isso.
O amor não pode ser mais nada senão uma sucessão infinita de dores de cabeça e noites mal dormidas. Uma sucessão cansativa de ama-me, mas deixa-me em paz. 
No fim estamos cá. Sobreviventes do desgaste das memórias. Dessas que o amor faz questão de trazer.

Com amor,
Bia.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

(In)felicidade



Há muros demasiado altos para se escalarem. Outros que nos caem em cima depois de ultrapassados. E a dor... Bem, essa não passa. Há dias em que mais vale admitir que estamos no mundo errado. Que somos um acaso do destino. E que, por sua vez, estamos destinados a ser infelizes separados. Entretanto a vida passou-me ao lado. Mas ao menos sabemos agora que o destino quis que marcássemos o outro, mesmo que da pior forma que alguma vez inventaram. Com a felicidade de o marcarmos com algo que fica para sempre. A dor e infelicidade eterna de não estarmos juntos.
O amor só é bonito nos livros.

Com amor, Bia.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Amor quebrado





A minha tia dizia que eu havia de partir muitos corações. 
Nessa altura ainda tinha o cabelo castanho e lembro-me de lhe responder que nunca me iria apaixonar por ninguém. Passei pelo vermelho, pelo roxo, pelo rosa, pelo laranja e, por fim, loiro.
Acho que no fundo ela sempre soube que eu não precisava de alguém para estar apaixonada.
Cresci no meio do fumo, a pintar telas em acrílico e a escrever num blog sem futuro. 
Cresci no meio de discussões sem fundamento e com a ideia de que, amar alguém, só faz sentido se o virmos por dentro. Na totalidade interior que poucos conhecem.
Vim de um amor quebrado e talvez seja por isso que saí em peças. Mas a verdade é que mais vale um amor em peças do que não haver amor nenhum. Afinal há sempre alguém que se encaixa em nós, ou pelo menos, tenta. O amor é para os loucos e sempre pedi para que isso não me tivesse passado pelo sangue. Acabei por ganhar as mesmas. Sou louca em todos os sentidos e, consequentemente, também no amor.
Há quem um dia nos faz aceitar que depois de tantas metades daquilo que procuramos inteiro, aparece alguém. Cheio de amor. Sem mas, sem se's e sem filtros. Que nos faz bloquear o menos correto apenas por mais uma noite. 
A minha tia tinha razão. Perdi o juízo e apaixonei-me.
Há muito tempo.
Duas coisas que passam? O tempo e o amor.

Com amor, Bia.



domingo, 20 de março de 2016

Deliberações



01:29 aponta o meu relógio.
Se estiver tão cansado quanto eu, com certeza o sol já terá nascido.
Descobri hoje em deliberações profundas comigo própria que "nós" os dois, sem um rótulo qualquer preconcebido (e por isso as aspas), somos rotina. É essa a palavra que tanto procurámos e que melhor nos define. 
Se há coisa que sei sobre rotinas é que são veneno, daqueles que matam. Que sufocam e queimam lentamente, ponta por ponta. É necessário algo maior e melhor que isso para quebrar o ciclo. Por o pé de fora, arejar as ideias e voltar cheio de força. Com vontade de amar e continuar a construir aquilo que deixamos. E é sem duvida disso que estamos à procura agora. De uma fórmula secreta de sair, parar e respirar, em conjunto. Um antídoto qualquer que destrua aquilo que nos corrói quando estamos juntos.
Que o amor nunca nos leve para longe de nós, sem aspas.

Com amor, Bia.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Dias assim, longos



Há dias assim, longos. Com pouca intensidade, mas com muita duração. Dias que nos fazem lembrar as milhares de caras com quem nos vamos cruzando na rua com o passar dos anos. Que nos trazem o sabor a corações partidos e noites mal dormidas.
Felizmente, sou mulher. Devo isso aos meus pais. Já fui insultada e, umas quantas vezes, cabeça de cartaz dos boatos mais disparatados. Alguns tiraram-me a força das pernas e confesso que me fizeram fraquejar, mas acabei, mais tarde ou mais cedo, por me levantar de todas as quedas que dei.
De tantas partes quebradas, daquilo que fui e hoje já não sou, resta-me dizer que tenho tudo aquilo que preciso para andar para a frente. Para seguir caminho e ser feliz.
Não faço sequer ideia de quantas caras por ano se atravessam na minha rua, mas sei que finalmente encontrei aquela que se encaixa em mim. Alguém que não é aquilo que os outros esperam, mas sim aquilo que consegue ser. Alguém que não olha a aparências e é o que quer ser sem medo de assustar os outros. Porque o susto passa, a vida também, mas aquilo que somos é eterno.
Gosto tanto do cheiro que deixas no corredor lá de casa.

Com amor, Bia.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Na saúde e na doença




Já cumpri metade do que te prometi antes de ires. Tenho saudades tuas, mas não te quero dizer. Sinto falta desse abraço apertado que me dava força e reconforto quando eu mais precisava. Esse abraço de tia, de mãe, de avó, mas a cima de tudo, de amiga.
A tatuagem, tem o teu nome e uma rosa sem espinhos para me lembrar do quão protegida estou e, sempre fui, por ti. Estou feliz, quero que saibas disso. Ajudas-me todos os dias a relembrar-me daquilo que sou feita. Que os meus sonhos estão cá, dentro de mim e que interessam. Espero que saibas que tenho feito de tudo para te lembrar das melhores maneiras e de te dar a conhecer àqueles que não tiveram essa sorte enquanto estiveste cá.
Não tenho nada teu, porque não quis. Guardei o teu batom e o teu perfume preferido e ando a ler aquele livro que nunca acabaste. Estava onde o deixaste, naquela mesa redonda, junto à janela. É a segunda vez que o leio, e já ando a planear a terceira. Faz-me lembrar de ti, do tempo que passamos juntas, das vezes que te cuidei. E quão irónico é ser um livro sobre alguém que passou pelo mesmo que tu, sem ter medo de dizer que era cancro. Tal e qual como nós.
Tenho que te pedir desculpa. Peço sempre. Arrependo-me todos os dias de não ter ido aqueles tratamentos em Agosto. Pediste-me e, eu, por fraqueza ou medo, não consegui. Sei que era minha obrigação. A tua companheira dos livros devia estar presente enquanto a radioterapia tomava conta de ti. Para te ler um excerto ou dois do Miguel Esteves Cardoso ou do Miguel Sousa Tavares, como tu tanto gostavas. Para te dar a mão e apaziguar a dor.
Fomos felizes todos os dias em que estivemos juntas. No IPO ou em casa, deitadas no sofá ou na cama, de mãos dadas ou ao colo, com ou sem cabelo, a rir ou a chorar. Soubemos sempre ser felizes. Enquanto cá estiveste, gozamos e abusamos da vida, da palavra 'feliz' e do nosso amor.
Só espero que estejas bem e que olhes por mim, como fizeste a vida toda.
Tenho saudades tuas.

Com amor, o teu Solinho.

Vai e tira fotos

 

A verdade? É muito simples... Ninguém está feliz a cem porcento. Ninguém tem a pele feita de tinta a óleo e luz solar. Mais de metade são acrílicos inventados às três da manhã à luz do candeeiro num atelier escondido num beco da cidade. Ninguém entende porra deste mundo. Ninguém. E foda-se, provavelmente ninguém entende assim tanto de matemática ou literatura como eles dizem. Estamos aqui neste momento. E no próximo? Estamos? Aprendi muito mais sobre o mundo com uma lata de cerveja na mão e chaves de casa no bolso. 
Assistir ao nascer do sol, de vez em quando, no telhado, é a cura para qualquer pecado, qualquer contratempo e qualquer dia menos bom. 
Então vai e tira fotos. Ao pôr do sol. Ao nascer do sol. À luz na parede do quarto. Tira fotos nua. A beijar alguém. Não interessa com quem, porque as pessoas mudam à velocidade das correntes oceânicas e deixam hematomas dolorosos para se cuidar. 
E qual é a verdade afinal? As coisas melhoram. Tu melhoras. Aprendes a amar de novo. Aprendes a amar-te sem maquilhagem.

Com amor, Bia.

Pontas soltas



À deriva, na cama, nos corredores, com o sol a espreitar pela janela. E mais uma vez eu espero que o telefone toque. Que sejas tu a dizer que estás a caminho de casa. Que mal podes esperar por bater a porta, subir as escadas e abraçar-me para sempre. Deixaste-me neste crepúsculo constante da sombra do teu coração. Subo pelas paredes e por mais que sinta a luz a bater no chão, não passo de uma sala cheia de gritos vazios.
Quando gostamos muito de alguém agarramo-nos às coisas mais pequenas e tentamos esquecer os males maiores que tanto nos feriram os joelhos noutros tempos. Fingimos que um dia, por milagre, todas as quedas que sofremos vão ser recompensadas.
Andamos tanto tempo às voltas no mesmo circulo, que no fim, já não sabemos onde estamos.
Mas no fundo o amor é mesmo isso. Milhares de pontas soltas e dois corações partidos.
Aí o telefone toca, és tu e o mundo volta a fazer sentido.
Pus o pé fora do circulo e segui em frente. Contigo.

Com amor, Bia.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Nunca fui de meios



Meio cheio ou meio vazio? Nunca fui de meios, respondia eu. Sempre quis o máximo. O melhor ou o pior, mas normalmente, o impossível.
E foi mais ou menos aí que percebi que te queria ao meu lado. Tanto na mesa, durante os jantares de família. Como no carro, a caminho da primeira quinzena de Agosto no Algarve.
Estive sempre à procura de mais qualquer coisa. Qualquer coisa que me fizesse companhia com um livro e um copo de vinho. Qualquer coisa que fizesse sentir grata ao fim do dia.
Isolei-me, foquei-me apenas na descoberta, viajei para lá dos meus horizontes e levei comigo os lápis de color e um livro de mandalas. No fim do verão tinha sonhos. Vontade de tirar uma licenciatura e empenhar-me em ser alguém. Vontade de casar aos 21. Vontade de experimentar o novo restaurante japonês da rua de cima. Vontade de correr o mundo.
E melhor, tinha-te comigo, de mãos dadas para o mundo.
Superei-me em todos os aspetos por dois segundos da tua atenção e consegui cinco meses de amor e partilha. Não me digam que é o destino.

Hoje preenchi o teu vazio com os meus sonhos.

Com amor, Bia.

Cama vazia, coração cheio



Tenho a lua aos pés e o sol nas mãos, mas não me queimo. Aprendi a andar sozinha.
Caminho como por entre as beiras de chuva dissolvente que muitos choram em dias vazios. Dias com o mesmo tom dos meus ultimamente. E é um descompasso ritmado com som de sirene ou campainha. Que me atormenta, mas descansa. E aí tenho a certeza que és tu que chegas. Abres os braços, esses braços grandes que me abraçam de saudade aos domingos à tarde. És tu. Ninguém pode negar. Vi-te no teu melhor e tentei não fechar os olhos ou largar-te a mão no pior. Sei-te de cor e disso pouca gente se pode gabar. Fomos. Agora podemos até não ser. Mas ao menos, o que fomos, fomos juntos.
Hoje durmo na tua almofada que todas as noites te espera na minha cama. 
Tal e qual como eu te espero. 
De cama vazia, mas de coração cheio.

Com amor, Bia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Às novas etapas



Depois de vários anos ligada ao "Futilidades Inconvenientes" e alguns meses ao "Long & Lost", decidi que estava na altura de mudar. Queria um novo projeto onde pudesse continuar a dar-vos um bocadinho de mim, mas que se adequasse também a esta minha nova etapa. Escrever um blog, quer queiramos, quer não, acaba sempre por se tornar algo muito pessoal e intimista. E ontem, a caminho de casa, com os pés molhados e os fones no máximo, sabia que era uma pessoa diferente.
Isto porque, quando olho à minha volta vejo muito pouco. Pouca motivação, pouca energia e ambição. Pouca vontade e luta. Pouco fazer rir. Pouco fazer amor.
A verdade é que estou prestes a fazer dezoito anos e não faço ideia daquilo que quero ser.
Sei que uns dias quero viajar, outros não quero sair daqui nem sequer para comprar pão.
Por enquanto não sei aquilo que quero ser, por isso, sou feliz.

Com o mesmo de amor de sempre, Bia.

Enjoy!!