segunda-feira, 9 de maio de 2016

Coisas que não nos pertencem



Tu?
Sabes lá...
Há voltas que a vida dá. E os muros tornam a erguer-se. Em nosso redor. Prendem-nos lá dentro.
Andámos tanto tempo em torno do mesmo assunto, fiquei zonza. Zonza de ti. Sempre te disse que o teu perfume era demais, colava-se às roupas, entranhava-se no meu nariz. Acho que nunca saiu sequer da minha pele, por mais banhos que tomasse.
Eu tentei. E às vezes acho que tentei demais.
Num mundo perfeito, provavelmente, estaríamos juntos. Hipoteticamente felizes. Talvez não até sermos velhinhos e nos esquecermos dos dias. Talvez até podíamos ter-nos dado bem. Não todos os dias. Mas na maioria das noites tenho a certeza.
Há coisas que só entendemos quando as deixamos partir. Coisas que não nos pertencem e nos escorregam pelas mãos mesmo em frente aos nossos olhos. Sem nada a fazer por nunca terem sido realmente nossas. E finalmente consigo entender-nos.
Uma das lições mais importantes que aprendi foi a amar-te e a seguir foi a deixar-te partir. Não que fosse fácil entender. Foi preciso queimar uns quantos livros.
Depois de tanto, a única maneira de saber que estamos vivos é ver alguém morrer.
Mas fui eu que morri.

Com amor, Bia.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Soldados: os que amam demais



A culpa está sempre no coração daqueles que amam. Há sempre quem tem mais culpa, claro. Os sonhadores, os que amam demais. Como eu. 
A luz atinge-nos, ilumina-nos o caminho e da-nos oportunidade de voltar atrás e corrigir a rota.
Peguei numa dessas oportunidades, dei umas vinte vidas ao nosso nós. Acreditas que em nenhuma delas sobreviveu?
A culpa assombra-nos e um dia há de levar-nos ao tapete.
Em dias normais achei que seríamos tudo. Tudo aquilo que nunca conseguimos ser. E num daqueles dias em que não deveria sentir absolutamente nada apercebi-me que o meu corpo já não estava contigo e decidi parar de te amar. 
Provavelmente, um dia destes vamos mesmo ter que nos conformar que o amor se perdeu. E que afinal não é assim tão bom quanto isso.
O amor não pode ser mais nada senão uma sucessão infinita de dores de cabeça e noites mal dormidas. Uma sucessão cansativa de ama-me, mas deixa-me em paz. 
No fim estamos cá. Sobreviventes do desgaste das memórias. Dessas que o amor faz questão de trazer.

Com amor,
Bia.