Tu?
Sabes lá...
Há voltas que a vida dá. E os muros tornam a erguer-se. Em nosso redor. Prendem-nos lá dentro.
Andámos tanto tempo em torno do mesmo assunto, fiquei zonza. Zonza de ti. Sempre te disse que o teu perfume era demais, colava-se às roupas, entranhava-se no meu nariz. Acho que nunca saiu sequer da minha pele, por mais banhos que tomasse.
Eu tentei. E às vezes acho que tentei demais.
Num mundo perfeito, provavelmente, estaríamos juntos. Hipoteticamente felizes. Talvez não até sermos velhinhos e nos esquecermos dos dias. Talvez até podíamos ter-nos dado bem. Não todos os dias. Mas na maioria das noites tenho a certeza.
Há coisas que só entendemos quando as deixamos partir. Coisas que não nos pertencem e nos escorregam pelas mãos mesmo em frente aos nossos olhos. Sem nada a fazer por nunca terem sido realmente nossas. E finalmente consigo entender-nos.
Uma das lições mais importantes que aprendi foi a amar-te e a seguir foi a deixar-te partir. Não que fosse fácil entender. Foi preciso queimar uns quantos livros.
Depois de tanto, a única maneira de saber que estamos vivos é ver alguém morrer.
Mas fui eu que morri.
Com amor, Bia.

