À deriva, na cama, nos corredores, com o sol a espreitar pela janela. E mais uma vez eu espero que o telefone toque. Que sejas tu a dizer que estás a caminho de casa. Que mal podes esperar por bater a porta, subir as escadas e abraçar-me para sempre. Deixaste-me neste crepúsculo constante da sombra do teu coração. Subo pelas paredes e por mais que sinta a luz a bater no chão, não passo de uma sala cheia de gritos vazios.
Quando gostamos muito de alguém agarramo-nos às coisas mais pequenas e tentamos esquecer os males maiores que tanto nos feriram os joelhos noutros tempos. Fingimos que um dia, por milagre, todas as quedas que sofremos vão ser recompensadas.
Andamos tanto tempo às voltas no mesmo circulo, que no fim, já não sabemos onde estamos.
Mas no fundo o amor é mesmo isso. Milhares de pontas soltas e dois corações partidos.
Aí o telefone toca, és tu e o mundo volta a fazer sentido.
Pus o pé fora do circulo e segui em frente. Contigo.
Com amor, Bia.

Sem comentários:
Enviar um comentário