segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Posto de espera



30 de Janeiro de 2017

Saber que tudo é um posto de espera decomposto em anos. Anos feitos de minutos felizes e tantos outros feios com um disfarce falso de infinito. Os anos passam e deixam tantas coisas connosco. Coisas passageiras, coisas pesadas capazes de tirar a respiração, memórias traiçoeiras que nos lembram aquilo que todos os dias tentamos esquecer. Relembramo-nos daquilo que já foi, mas lembramo-nos também que muitas coisas não voltam. Nunca mais. Nem da mesma forma, nem com o mesmo conteúdo.
A sensação de deixar um lugar e sabermos que é para sempre. Sabermos que é a última vez que respiramos ali, que temos a oportunidade de olhar em redor: as paisagens, as pessoas, o próprio cenário. Parece um erro.
Às vezes perco o controle e apetece-me parar a viagem, mas não posso. Às vezes acho que estou errada, que troquei os relógios e o tempo afinal não passou. Convenço-me de que quero ficar, mas não. Depois lembro-me o porque de ter que partir e os quilómetros que ainda me faltam percorrer.
Um capítulo encerra-se e outro está apenas a começar.
Recebo os dezanove com vontade de ser feliz.
Obrigada.

Com amor, Bia.

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