Hoje o meu dia foi terrível. Cheguei a casa e tu não estavas. Os lençóis continuavam tal e qual como os tinha deixado. O meu cheiro em todo o lado. E nem sinal de ti. Costumavas estar ali. Deitado. A olhar para mim. Como se já tivesses saudades minhas. Numa introspecção profunda que nunca consegui decifrar completamente.
Hoje é evidente a falta que me fazes. As prateleiras vazias. A casa repleta de um silêncio ensurdecedor. Sou obrigada a trair a minha mente a cada imagem tua. Digo-lhe que estás comigo mesmo a quilómetros de distância, que tratarás de nós como ninguém. Mas sei que no fundo estou apenas acompanhada das promessas falhadas que deixaste comigo. Sozinha.
Quatro da manhã. O telefone não toca mais. Tique-taque. O tempo sabe o que faz. Sete da manhã e o despertador acorda desassossegado. Tique. Taque. Piso o chão frio, descalça e o tapete foge, porque tu não estás comigo.
Onde é que estás?
2000 quilómetros de distância e é a primeira vez que te sinto tão longe. Entre o passado e o futuro. Entre duas línguas e dois corpos que se amarram na certeza de saber que um dia estarão juntos para sempre. Se o tempo deixar. Tempo que não para, mas teima em ficar mais lento quando estás longe de mim. Que nos afasta e nos confunde, entre aquilo que somos e queremos ser.
Manda-me amor pelo vento. Adianta os relógios. Rasga o calendário. Confessa à lua que me amas, porque ela diz-me baixinho os seus segredos todas as noites. E mesmo sem saber de ti. De cama vazia. De coração cheio de uma esperança apertada que me deixaste antes de partir. Sei, no fundo, que jamais me deixarias aqui. Sozinha.
Pudesse eu ter lido o futuro.
Com amor,
Bia.

Sem comentários:
Enviar um comentário